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Mais do mesmo?

__Pelo segundo ano consecutivo, vou gastar bytes falando sobre trote na universidade. Resisti ao copy&paste, aos argumentos de fácil indignação sobre a perda da dignidade pessoal em função de um grupo que no fundo só quer se vingar de um ato para o qual ele foi por vontade própria. Nem vou argumentar sociologicamente sobre o fim dos valores essenciais quando uma parcela significativa das pessoas só se sentem “alguém” quando consomem. Nada disso.

__Posso bater hoje na tecla na atuação das instituições democráticas. Das reitorias das universidades, dos centros acadêmicos e do ministério público. Concordo que ambos estão ocupados em “manter a ordem”, resolver questões inerentes aos seus exercícios, como garantir reajustes salariais decentes e condições mínimas de atuação. Mas como representantes de classe, ao que puderem se posicionar e agir de forma enérgica contra esta orgia moral que se transformou os trotes estudantis, um certo conforto ético pode se aconchegar em nosso espírito democrático. E antes que a expressão “orgia moral” seja diretamente vinculada a sacanagem em grupo ou congêneres ou a uma posição [uia] conservadora de minha parte, já adianto que a baixaria no trato do “respeito ao outro” já despencou ladeira abaixo.

__Da altura onde se encontra o desenvolvimento humano – mesmo em terra papagalis –, seria possível que a selvageria contra o calouro universitário é um retrato do estudante de nível superior? Cobrir ninfetas e mancebos com ovos, farinha e água vai matar a fome de cidadania de quem deveria dar o exemplo e oferecer tarefas de inclusão no ambiente universitário? Tudo bem , estou sendo chato querendo achar que nas salas de aula discute-se os rumos da cidade, estado ou país durante os intervalos. Mas se os trotes violentos ocupam um espaço significativo nas reportagens de tv e jornal, alguma coisa muito errada acontece na cabeça do estudante. Ou ele acredita piamente que a humilhação e a imposição da violencia é a melhor resposta para se impor na vida acadêmica e por consequência na vida profissional, ou replica um comportamento imbecil somente para “fazer parte da turma”.

__O que nos leva a um outro assunto, no Centro Cívico. Passei de ônibus por ali no final da tarde de 1º de fevereiro de 2011 e estava cheio de policiais. Ou era apenas uma ação protocolar de segurança, ou meu mau gosto para frases de efeito iria ser exposto no twitter. A PM do Paraná estava lá para assegurar que nenhum deputado estadual fosse agredido pelos 300 funcionários comissionados que perderam o acesso ao cocho de onde jorra dinheiro público. Se a PM garantisse que alguns deles fossem direto prestar depoimento sobre a malversação [gosto desta palavra] do dinheiro suadinho meu e seu, ficaria bem do feliz.

__Louvável a ação do novo presidente da Assembleia, Valdir Rossoni, em tirar a turma que estava vinculada à direção anterior. Revelou com esta ação – apoiada pelo governador Richa filho –, revela que os efeitos da corrupção na Assembléia podem respingar em muitos lugares. E o que tem a ver com trote? Vai ter polícia nas portas das universidades, para reprimir os trotes? Fácil demais, não é? O comportamento de se apropriar do que é público para fins pessoais pode se espelhar nesta falta de cidadania e de respeito ao cidadão. Se acredito que posso impor a outro algo ruim que me fizeram só porque me foi aplicado anteriormente, sem raciocinar, posso também agir em benefício próprio sobre um patrimônio que pertence a todos, sem culpa no cartório [que pode ser impingida ao um laranja, por exemplo].

 

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