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desvotando

> Em algum momento de 2010, especialistas em marketing político acreditavam que o fenônemo Obama iria ser um catalisador de mudança na forma de fazer propaganda eleitoral no Brasil. Agora, no segundo turno das eleições presidenciais, a internet tem sido a plataforma de lançamento de boatos de quinta categoria, teorias das mais absurdas sobre o caráter e o passado de José Serra e Dilma Rousseff.
> O que se recebe nas caixas de entrada de e-mails reflete o verdadeiro produto da falta de profissionalismo de “marketeiros” e o jeito capenga de fazer política partidária no Brasil. Se para alguns a noção de poder político foi a presença nas aulas de OSPB dos anos 80, tá na cara que estamos longe de um exercício decente e honesto da democracia.
> A desqualificação de ambos os candidatos também encontra eco nos destinatários, que replicam os boatos como se fossem receita pra ganhar na mega-sena. Com baixo senso crítico, e muitas vezes levados por paixões equivocadas sobre certos aspectos irrelevantes dos candidatos, os candidatos destas eleições de 2010 apenas deixam claro o imenso abismo que se avoluma à frente do país. Se alguns segmentos da sociedade rebaixaram assuntos polêmicos como o aborto com a única intenção de demonizar Dona Vana [segundo nome de origem búlgara da candidata Dilma], a sua contraparte na disputa José Serra resvala no que há de pior na então escondida ranheta direita brasileira, acostumada a manter a empregada no quarto dos fundos para deleite de seus filhos varonis.
>Talvez esta bobagem toda esconda a realidade que poucos desejam debater. Apesar da estabilidade econômica – mais por sorte do que por incompetência –, o Brasil ainda possui índices de desigualdades semelhantes ou piores do que os vizinhos da América Latina e alguns países africanos. Pode-se tecer teorias conspiratórias que envolvam o sistema bancário, grandes indústrias e interesses secundários de outros setores desenvolvidos que lucram com o atual status quo. Se em Tropa de Elite 2 quem leva o pior era quem justamente buscava pela verdade – o caveira Matias e a jornalista que descobriu quem dava suporte às milícias –, os marketeiros seguem uma receita que muda o país para sempre mais do mesmo.

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