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do novo fim

_As escolhas equivocadas, por menores que sejam, cobram seus préstimos com juros. Entre as 600 páginas divididas entre 4 livros, outras fotocopiadas solicitadas pelos professores, jornais, revistas, alguns sites e mais livros para referência foram divididas com 35 dias desempregado, desolado, amargurado. Mas chegou o novo fim. Quebra de paradigmas. Clichês que se amontoaram pelos cantos. Caixas desfeitas. O fim do vínculo sentimental com coisas antigas. O vazio essencial para acomodar o novo, que ainda não chegou. Agora, trabalho no varejo, entre mais de 12 mil itens para serem fotografados e vinculados em um site. Criação de material de marketing farmacêutico. Enquanto isso, a tarefa de construir textos cada vez sucintos e objetivos e informativos vai tomando forma. Pessoas que nunca me enxergaram querem agora conversar, seguir no twitter, msn, ir ao museu, fazer trabalho acadêmico e dizer verdades sinceras que não incomodam. Um novo fim.

_Outro noite dessas de aula, um novo professor de Teoria do Conhecimento esforçava-se para nos fazer compreender a importância da disciplina exibindo um trecho de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Suscitou risos debochados, mas discretos. Enquanto pensava este meliante de palavras na importância do repertório, o símio descobria que os ossos encontrados serviam para algo além, lembrei-me que a cena terminava no monolito encontrado no espaço, da obra de Arthur C. Clarke e magistralmente dirigido em 68 por Stanley Kubrick. Dias desses lembrei dessa obra-prima revendo Wall-E. Na ponte de comando da nave que guarda a humanidade no espaço, o computador tentava impedir a descoberta de uma singela plantinha. Apesar de estar na forma de um timão náutico, lá estava o red-eye do computador e sua voz pausadamente digital. Mas quem se importa com repertório?

_A história do ex-deputado Carli Filho vai longe. Assim como a certeza de que o mocinho não vai chegar se quer perto de uma cela de prisão para pagar por seu crime. A cada vez que este assunto retorna, insisto em dirimir a ideia de que a impunidade parlamentar é a garantia do exercício da ignorância para quem confunde cargo com a função. Apesar de não contar mais com as prerrogativas e as benesses de seu mandato, outros elementos estão nas sombras orquestrando sua impunidade. Quando essa história completar um ano, vamos nos vestir de preto e ignorar o presente que a mãe de Gilmar Yared ganhou no seu dia.

_A prefeitura de Curitiba não perde tempo na campanha de 2010. E o uso da bike no trânsito vai além de um dia. A prefeitura está sendo hipócrita em promover o Dia Sem Carro, dia 22 de setembro, pois ela estimula o uso do carro ao favorecer a construção de mais avenidas [que ainda não funcionam] em detrimento à ciclofaixa e ciclovias.  Além de sucatear o transporte coletivo e a manutenção de uma “caixa-preta” que onera o custo da passagem.

_Na tão badalada reforma da Marechal Floriano, não existe ciclovia até o terminal do Boqueirão, por exemplo, além de outros trechos que cortam a cidade. Ainda contamos com a ignorância de uma grande parcela dos motoristas que acreditam que as ruas foram feitas somente para os carros. Quando prevalece interesses politiqueiros [alguém duvida que as cenas da terça-feira, dia 22, não vão aparecer de relance na campanha do Richa?] sobre os interesses da população, há de se temer pelo bem público e do exercício saudável da democracia.

_A pedido da professora de Língua Portuguesa, trabalhamos na produção de um clipping sobre 3 assuntos. Escolhi sobre a crise ética no Senado Federal envolvendo José Sarney, o senador acreano do Maranhão. Na primeira etapa, acompanhar 1 semana de notícias em algum veículo impresso diário [antigamente conhecimento por jornal]. Fui na lata e fiquei com o Estadão. Apesar de ter uma linha mais sisuda, o fato de estar censurado por um amigo do Rei foi essencial para fazer o trabalho. Entregue a pauta, a coisa se complicou. Na aula que faltei para fechar um encarte publicitário, a mestre solicita a produção de dois textos. Um de caráter informativo. E o segundo opinativo, que deveria ser enviado para o veículo escolhido. A seguir, o material publicado na seção de opinial de O Estado de S. Paulo, na sua versão online:

“A sucessão de denúncias apresentadas neste prestigioso jornal – vergonhosamente sob censura – , a respeito do presidente do Senado brasileiro apenas reflete o estado de incivilidade política e de desrespeito à ética instaurado no Brasil.

As sequências de escândalos, protagonizadas pela figura do senador Sarney, oferece também um momento único para rever o atual cenário da política brasileira. Se por um lado existe um forte corporativismo entre seus pares, aliado a um senso de impunidade, uma parcela significativa da sociedade brasileira isenta-se de responsabilidade na hora de exercer o maior poder outorgado em uma democracia, o voto.

Custa-se a acreditar que a figura quase mítica do senador acreano sobreviva indelével à próxima onda de denúncias devido ao apoio da base governista e de um Congresso preocupado com os conchavos para as eleições de 2010. As alianças partidárias destroem os objetivos primários da democracia quando favorecem interesses menores diante dos grandes desafios que o Brasil precisa enfrentar para firmar-se como potência econômica e social.

Os argumentos apresentados pelo senador e seus filhos nas denúncias a respeito dos apartamentos cedidos por uma empreiteira esclarecem que as relações entre doadores de campanhas políticas e os candidatos precisam ser revistas. A garantia de isenção e lisura em licitações públicas, por exemplo, deve pautar a revisão das atuais leis e permitir maior controle sobre os financiamentos de campanhas eleitorais.

Por fim, o exercício do voto pleno, vinculado a uma melhor formação cívica, deve expurgar elementos que usam da máquina pública para garantir vantagens indevidas aos seus interesses mesquinhos. Enquanto acreditarmos nesse mecanismo democrático, e o exercemos de forma coerente, vexames como os veiculados na imprensa devem dar lugar a notícias que privilegiem o trabalho honesto de quem foi eleito para melhorar a vida de todos os brasileiros, que acreditam na democracia como um instrumento de cidadania.”


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