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Um novo caminho?

_Como estamos compartilhando desse momento único de aprender, precisamos fazer um exame crítico e confrontar os fatos presentes com os do passado. Com o objetivo de obtermos um panorama e principalmente uma perspectiva deste fato lamentável que resultou no fim da exigência do diploma para o exercício do jornalismo.

_Em outubro de 2001, a juíza federal Carla Rister concedeu liminar a uma ação civil pública, desobrigando qualquer pessoa de ter diploma na área para conseguir seu registro profissional de jornalista. A que interesses essa decisão do STF atende também agora, visto seu incômodo sucesso? Os grupos midiáticos, para reduzir seus custos com pagamento de pisos salariais, ou para garantir suas relações escusas com os poderes constituídos? Quais setores da sociedade brasileira incomodam-se realmente com o papel investigativo e apurador do jornalismo? Caindo a exigência do diploma, reduz-se também o interesse de futuras gerações em aprender e desenvolver mecanismos de conscientização, como oferece o jornalismo, entre outras coisas?

_Ao vivermos uma democracia onde o voto é obrigatório, a resposta equivocada do STF revela-se distante da realidade vivida por milhares de brasileiros. Quando do rapidíssimo habeas-corpus que soltou Daniel Dantas — figura que mantém relações estranhas com a imprensa, entre outros setores estratégicos no país — depois de anos de investigação da Polícia Federal, a credibilidade daquele colegiado de juízes ficou seriamente abalada.

_Essa nova decisão ofensiva e disparatada contra os estudantes e jornalistas que investem anos de suas vidas na universidade a grandes recursos financeiros, e a uma nova geração de profissionais que está saindo dos bancos ressalta também o profundo abismo entre o que se passa nos luxuosos corredores jurídicos de Brasília e a dura realidade do cotidiano competitivo do mercado de trabalho. Nem sempre justo, nem sempre ético, e nem sempre favorável.

_Por outro lado, essa decisão não condena ao fim os cursos de jornalismo. Essa nova geração de profissionais, das quais somos parte, está sendo preparada para atuar dentro das novas configurações do mercado? Se o diploma é o objetivo do curso, o que se aprende pode ser colocado em prática assim que o recebemos? Se este mesmo diploma é o resultado da formação com louvor e mérito de competência do aluno dentro da universidade, isso garante sua atuação também brilhante em um mercado preocupado apenas em ampliar seus lucros contábeis? E estamos todos, estudantes, preocupados com uma suposta reserva de mercado para os diplomados ou pela dignidade e respeito ao exercício de uma profissão capaz de revelar assassinos e até mesmo derrubar senadores, ministros e presidentes?

_Está aberto um debate único e provocativo, que precisa reverberar por todas as salas e laboratórios dessa universidade. Precisamos ampliar o contato com o mercado, com o sindicato, com os veículos de comunicação, rever conceitos e até mesmo criar novos. Que se fortaleça esse debate para ampliar o papel instigante que cabe ao jornalismo.

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